Terapia Cognitiva × Terapia Cognitivo-Comportamental: entenda de uma vez por todas o que aproxima e o que diferencia esses dois termos.

Seja entre iniciantes ou profissionais com um pouco mais de experiência, é muito comum haver dúvidas sobre quais são as diferenças entre a Terapia Cognitiva e a Terapia Cognitivo-Comportamental.
Neste artigo, você vai entender o que caracteriza cada um desses termos, quais abordagens fazem parte das terapias cognitivo-comportamentais e se, em alguns contextos, essas nomenclaturas podem ser utilizadas como sinônimos.
O que é Terapia Cognitiva?

A Terapia Cognitiva é uma forma de psicoterapia desenvolvida por Aaron Beck na década de 1960.
Nesse modelo, parte-se do pressuposto de que a forma como percebemos as situações influencia diretamente a maneira como pensamos, sentimos e nos comportamos.
A partir disso, com o objetivo de promover mudanças imediatas e duradouras, Beck propôs que a Terapia Cognitiva deveria ser estruturada, breve e com ênfase no presente.
Além disso, o tratamento é conduzido com base na compreensão das demandas dos pacientes por meio de uma perspectiva cognitiva, sendo utilizadas diversas ferramentas cognitivas e comportamentais para alcançar os resultados almejados.
Outra característica importante dessa abordagem é o seu caráter colaborativo, no qual paciente e terapeuta trabalham juntos com o intuito de modificar os padrões cognitivos disfuncionais.
O que é Terapia Cognitivo-Comportamental?

Agora, quando falamos em Terapia Cognitivo-Comportamental, estamos nos referindo a um termo guarda-chuva que abrange um conjunto de abordagens terapêuticas, incluindo a Terapia Cognitiva desenvolvida por Aaron Beck.
Essas terapias, como o próprio nome sugere, levam em consideração tanto os aspectos cognitivos quanto os comportamentais. No entanto, suas formulações teóricas, modelos explicativos e ênfases no tratamento podem variar.
Atualmente, os modelos mais conhecidos das terapias cognitivo-comportamentais são:
Terapia Comportamental Dialética (DBT)

Desenvolvida por Marsha M. Linehan, a Terapia Comportamental Dialética foi inicialmente estruturada para o tratamento de pacientes com sofrimento psíquico intenso, especialmente aqueles diagnosticados com transtorno de personalidade borderline e que apresentavam comportamentos suicidas ou autolesivos.
Atualmente, a DBT foi ampliada e passou a ser aplicada em diferentes contextos clínicos e em outras demandas psicológicas.
Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT)

A Terapia de Aceitação e Compromisso é um modelo terapêutico que enfatiza a relação do indivíduo com seus pensamentos e emoções, promovendo a aceitação das experiências internas e o compromisso com ações alinhadas a seus valores pessoais.
Foi desenvolvida por Steven C. Hayes e integra o conjunto das terapias cognitivo-comportamentais de terceira onda.
Terapia do Esquema (TE)

Criada por Jeffrey Young, a Terapia do Esquema é um modelo terapêutico voltado para pacientes com padrões emocionais e comportamentais crônicos, especialmente aqueles com transtornos de personalidade ou dificuldades recorrentes nos relacionamentos.
Essa abordagem integra conceitos da Terapia Cognitivo-Comportamental tradicional com elementos de outras abordagens, ampliando o foco para esquemas iniciais desadaptativos formados ao longo do desenvolvimento.
Outras formas de TCCs

A lista das terapias cognitivo-comportamentais é realmente bem extensa. Além das mais conhecidas, como a Terapia Cognitiva de Beck, a DBT, a ACT e a TE, há também a:
- Terapia de Resolução de Problemas (TRP)
- Terapia Racional-Emotiva Comportamental (TREC)
- Terapia Focada na Compaixão (TFC)
- Terapia Cognitiva Processual (TCP)
- Terapia de Processamento Cognitivo (TPC)
- Ativação Comportamental (AC)
- Terapia de Exposição
- Sistema de Psicoterapia de Análise Cognitivo-Comportamental
- Modificação Cognitivo-Comportamental
- Entre outras.
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Terapia Cognitiva e Terapia Cognitivo-Comportamental são sinônimos?

Então, afinal… Terapia Cognitiva e Terapia Cognitivo-Comportamental são sinônimos?
A resposta é: às vezes, mas nem sempre.
No livro Terapia Cognitivo-Comportamental: Teoria e Prática, escrito por Judith Beck, atual presidente do Beck Institute, a autora explica que é comum que os próprios profissionais da área utilizem esses dois termos como sinônimos.
Por isso, em alguns materiais, você pode encontrar a Terapia Cognitiva (de Beck) sendo também nomeada como Terapia Cognitivo-Comportamental, Terapia Cognitivo-Comportamental Clássica ou Terapia Cognitivo-Comportamental Tradicional.
Para fixar o conhecimento
Para facilitar ainda mais o seu entendimento e ajudar na fixação desse conteúdo, você pode recorrer às analogias da casa e do armário-arquivo, descritas a seguir.
1. Analogia da Casa

Uma forma simples de compreender essa diferença é imaginar a Terapia Cognitivo-Comportamental como uma casa. Nessa casa, cada quarto representaria uma abordagem psicoterapêutica distinta.
Para exemplificar: o quarto 1 poderia corresponder à Terapia Cognitiva de Aaron Beck; o quarto 2, à Terapia Comportamental Dialética (DBT); e o quarto 3, à Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT).
2. Analogia do Armário-Arquivo

Uma segunda analogia que pode auxiliar na diferenciação desses termos é imaginar a Terapia Cognitivo-Comportamental como um armário-arquivo. Nesse armário, cada gaveta representaria uma abordagem terapêutica específica.
Para exemplificar: a gaveta 1 poderia corresponder à Terapia Cognitiva de Aaron Beck; a gaveta 2, à Terapia Comportamental Dialética (DBT); e a gaveta 3, à Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT).
Conclusão

Utilizar o termo “Terapia Cognitivo-Comportamental” para se referir à “Terapia Cognitiva” (de Beck) não é errado.
Porém, compreender as diferenças entre esses dois termos é importante para evitar confusões conceituais. Isso porque a nomenclatura “TCC” também pode ser empregada como um termo genérico que abrange diversas terapias derivadas do modelo clássico criado por Aaron Beck.
Além disso, compreender como esse campo foi construído e desenvolvido ao longo do tempo refina o seu olhar crítico e amplia a sua capacidade de entender os rumos que essas formas de psicoterapias vem assumindo na contemporaneidade.
A dica-chave aqui é sempre se atentar ao contexto do material (seja ele em vídeo, texto ou áudio) com o qual você está em contato.
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